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Casamento coletivo indígena marca história da Defensoria Pública

Por: Ascom-DPPB

Um dia histórico e de muita festa para os índios Potiguara no litoral norte da Paraíba. Assim pode ser definido o 31 de maio, data em que foi realizado o casamento coletivo com  casais representantes de 11 aldeias do Estado, localizadas nos municípios de Rio Tinto, Marcação e Baía da Traição.

A solenidade foi uma iniciativa da Defensoria Pública da Paraíba (DPPB), com apoio de diversas instituições: Associação dos Notários e Registradores da Paraíba (Anoreg-PB), Prefeitura Municipal de Rio Tinto, Prefeitura Municipal de Marcação, Prefeitura Municipal da Baía da Traíção, Fundação Nacional do Índio (Funai), Sesi, Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) e Tribunal de Justiça da Paraíba. As custas cartoriais para emissão das certidões de casamento foram assumidas pela Anoreg.

Bem antes do início da cerimônia, marcada para as 10h, os casais indígenas, familiares e amigos começaram a chegar à unidade do Sesi (Serviço Social da Indústria) de Rio Tinto. Alguns optaram por utilizar em suas roupas alguns adereços típicos dos Potiguara, como cocar, brincos e tiaras, mas a maioria dos noivos e noivas optou pela vestimenta tradicional.

Era uma ocasião especial e não faltaram vestido branco, buquê, salto alto, brilho e terno. Cada um dos casais — ao seu modo e condições financeiras — escolheu um traje que representasse bem aquele momento.

O clima de festa também era evidente na decoração: no local onde os casais iriam dar o “sim” para o juiz Judson Kildere Nascimento Faheina, folhagens imitavam um grande cocar, e esteiras e saias de palha ornamentavam o tradicional bolo: foram 40 quilos de torta para festejar a decisão dos indígenas de oficializar, perante à Justiça, os vários anos de convivência marital.  Vasos de barro com flores tropicais ainda decoravam o corredor por onde os casais passaram.  

“Esta é uma manhã única para todos nós; ímpar, na verdade, para a vida de todos os nubentes. Não estaríamos aqui sem o trabalho da Defensoria Pública”, destacou o juiz Judson Kildere, acrescentando ainda que, desde a primeira reunião, todos os caciques compreenderam a importância do casamento civil e a Anoreg identificou “o papel cidadão dessa ação da Defensoria Pública, permitindo que o casamento pudesse ser realizado de forma gratuita para todos os casais”.

Segundo a defensora pública Rosário Lima (que atua na Comarca de Rio Tinto, município onde o casamento foi realizado), a oficialização do matrimônio permite que os casais possam resolver pendências previdenciárias e ter acesso a pensões e outros benefícios.

Ao todo, 70 casais participaram da cerimônia civil, representando as aldeias de Lagoa Grande, Jacaré de São Domingos, Monte-Mor, Três Rios, Alto do Tambá, Tramataia, Grupiuna, Jacaré de César, Tracoeira, Ybykuara e Akajutybiro.